Farmácias em alerta contra roubo

co

Assaltos: Assustados, donos dos estabelecimentos passam a usar câmeras e seguranças. Clientes estão entre as vítimas

 

O modelista Rodrigo Vida, de 30 anos, escolheu a farmácia da Avenida João Jorge Saad, no Morumbi, zona sul, por sentir-se mais seguro em uma via movimentada. A loja estava vazia - outro motivo que pesou na hora da escolha, às 21 horas do dia 25 de março. Mas lá dentro foi rendido com violência por assaltantes e levado como refém a uma sala com outros clientes. “Sempre tive essa preocupação. Agora vou evitar ao máximo ir à noite”, disse Rodrigo.

Os roubos a farmácias e drogarias têm sido frequentes na cidade de São Paulo. Só nos dois primeiros meses deste ano, foram 102 registros. A maioria na zona oeste, que concentra 41 casos. Segundo os funcionários de cinco estabelecimentos, havia clientes em busca de medicamentos no momento do roubo. Porém, na hora de registrar o crime na polícia, só os representantes das lojas estavam presentes. Os boletins de ocorrência foram registrados em delegacias como o 14º DP, em Pinheiros, 7º, Lapa, 23º, Perdizes, e 34º, Morumbi.

Para o modelista, sua vida foi salva depois que o taxista de uma cliente que comprava leite para o filho percebeu a ação. “Ele estava do lado de fora e ligou para a PM.” Quatro suspeitos foram presos na mesma noite. Um deles fugia com o carro de um cliente.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o número de roubos em geral na capital, sem contar veículos, bancos e cargas, subiu 18,26% no quarto trimestre de 2009, em comparação ao mesmo período de 2008.

O diretor executivo do Sindicato do Comércio Varejista (Sincofarma), Juan Vasconcellos Becera, alerta: “Houve um aumento de queixas em relação a 2009. Quem não está fechando as portas tem colocado seguranças na entrada, verdadeiros armários”. Becera, que também é dono de farmácia, teve sua loja assaltada três vezes desde janeiro. “Preciso contratar um funcionário para deixá-lo na porta e observar se motos rondam o local. A orientação, em caso de suspeitas, é chamar a PM.”

Quando estão abertas em bairros nobres, grandes redes deixam homens de terno de prontidão. Oficialmente, eles não são chamados de segurança. “Para nós, são controladores de acesso”, diz a atendente de uma drogaria na zona oeste. Segundo ela, em “áreas carentes”, o pedido é para fechar até as 23 horas. Ela cita a Drogasil da Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi. Para ela, o medo de assaltos fez a rede mudar de hábito.

Na Drogasil da Avenida Sumaré, os homens de preto se revezam. “Eles nos dão uma segurança, pois até quando deixamos alguém dentro do carro é perigoso. Eu só compro à noite em extrema necessidade”, conta a psicóloga Joana Cruz, de 38 anos. Na Droga Verde da Avenida Antártica, Perdizes, que funcionava dia e noite, o jeito foi fechar no período noturno. De acordo com funcionários, a decisão foi tomada em 2007, depois que o estabelecimento foi invadido por ladrões. A rede optou por abrir 24 horas a loja da Avenida Francisco Matarazzo. A assessoria de imprensa da rede negou a mudança de hábito.

Em nota, a PM afirma que distribui o efetivo com base nas estatísticas criminais. Cada companhia faz seu “Plano de Policiamento Inteligente”, com ações preventivas de acordo com o tipo de delito de maior incidência na região.

A corporação pede aos donos de farmácias que registrem os roubos para abastecer o banco de dados e direcionar a atividade policial. A SSP destaca que qualquer delegacia pode investigar esse tipo de delito. No caso de roubos a lotes de remédios, existe a Delegacia de Saúde Pública e Roubo de Medicamentos.


O QUE LEVAM

Dinheiro do caixa

Cartões para recarga de telefones celulares

Cartões telefônicos

Estimulante sexual Cialis

Viagra, estimulante sexual

Prancha para alisamento de cabelo (chapinha)

Aparelhos para inalação

Aminoácidos em pó, também conhecidos como shakes

Aparelhos celulares dos funcionários

Contraceptivos orais

 

Fonte: Jornal da Tarde : Camilla Haddad