Moradores, responsáveis por manter a área, tentam barrar a obra, que ligará o bairro ao Morumbi

Praça poderá dar lugar a túnel

 


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Moradores do Butantã se uniram para tentar preservar a Praça Elis Regina, uma das únicas áreas verdes do bairro, que corre risco de dar lugar a um túnel que ligará a região ao Morumbi. Eles já tiveram diversas conversas com a Prefeitura e, agora, a administração municipal demonstra sinais de rever o projeto, admitindo alterar o traçado da nova obra.

A praça é um dos centros de convivência mais queridos do bairro: idosos e crianças passam o dia no local, que tem árvores plantadas pelos próprios moradores e atenção intensa quanto à poda da grama e limpeza da área.

Por outro lado, a área seria ideal para uma obra viária. A praça começa na Avenida Corifeu de Azevedo Marques e corre paralela à Rua José Alvares Maciel até a Rodovia Raposo Tavares.

A demolição de pelo menos parte da praça é prevista na Operação Urbana Vila Sônia, uma proposta da Prefeitura que pretende aumentar o número da habitantes da região (que receberá a Linha 4-Amarela do Metrô ainda neste ano e já vive um boom imobiliário) e, em troca, investir em obras viárias na região.

“Não me interessa uma avenida que ligue o bairro até o Morumbi. E olha que eu sou são-paulino, chegaria ao estádio mais rápido. Mas eu gosto de vir aqui e jogar meu dominó”, diz o aposentado Darlei Basílio, de 68 anos.

O posicionamento contra o projeto é mais organizado: 16 associações de bairro mantêm contato com a Prefeitura há quatro anos para tentar mudar a proposta. De agosto do ano passado para cá, no entanto, a Prefeitura não fez mais reuniões, segundo a Associação Butantã Pode.

Membro da entidade, o administrador público Fabiano Alves, de 35 anos, afirma que, além da perda do espaço de convivência, os moradores temem que a obra traga reflexos negativos para o Parque Jardim Previdência, que fica do outro lado da Raposo.

O túnel que a Prefeitura pretende construir no local sairia da praça, passaria por baixo da rodovia e do parque e terminaria na Avenida Eliseu de Almeida. O eixo serviria como alternativa à Marginal do Pinheiros para a zona sul.

Embora não apresente uma resposta definitiva, a Prefeitura diz que “a transposição norte-sul possivelmente terá seu traçado modificado, para afastar ou minimizar os impactos sobre a praça”. Segundo nota do governo municipal, “estão em estudo traçados alternativos”. “É importante ressaltar que o projeto urbanístico da Operação Urbana Vila Sônia não se resume à questão dessa transposição norte-sul, prevendo várias outras melhorias”, diz a Secretaria Municipal de Planejamento.

“Eu plantei árvores aqui, vivo mandando e-mail para a Prefeitura fazer a poda do mato. Mas é o progresso: o túnel seria bom para o bairro”, diz o comerciante Luiz Augusto Ioppi, de 55 anos, outro frequentador da praça.





COMO FUNCIONA

Operações Urbanas são mecanismos que visam a revitalizar e desenvolver bairros. Empresas compram certificados que permitem construir acima do permitido no zoneamento naquela região.

O dinheiro arrecadado pela Prefeitura é investido em obras de melhorias, como deve ser feito na Operação Vila Sônia

 


Fonte : - Bruno Ribeiro e Felipe Oda -Jornal da Tarde